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Por que Santo de Casa não faz Milagres - Eduardo dos Santos

Por que Santo de Casa não faz Milagres

por Eduardo dos Santos


Muito se comenta no ambiente corporativo brasileiro, principalmente na média gerência, que consultores externos, dos mais variados matizes, são contratados somente para relatar obviedades de uma maneira bem embasada, que nada criam nada acrescentam em termos de valor agregado e oneram os já minguados orçamentos das empresas.

O surpreendente pois, é que as consultorias sérias continuam a se multiplicar, não por modismo, mas por apresentar resultados que cobrem os seus custos de contratação.

Em muitos casos, e posso dizer de minha experiência de 25 anos em diversos mercados, os maiores problemas estão á vista de todos, mas o corpo gerencial da empresa, e muitas vezes, a Diretoria e mesmo os controladores estão de tal maneira envolvidos no processo que são incapazes de efetuar um diagnóstico isento e, por conseguinte encaminhar uma solução satisfatória. Daí a constatação de que normalmente os primeiros três meses de análise da situação de custos nas empresas que atuam no país, principalmente as nacionais de capital fechado ou familiares, são os mais produtivos.

E a razão é simples. Os problemas que geram maiores retrabalhos, perdas de produtividade, custos desnecessários de processos, normalmente são decorrentes de decisões pessoais tomadas em determinado momento por um gestor com muito poder, que não são contestadas e passam a ter força de lei e verdade absoluta. Formam-se verdadeiros tabus, em que somente a presença de um ente externo a empresa possui a independência para estudar a situação e descrevê-la de maneira isenta e desta forma conseguir a adesão de todo o corpo gerencial no sentido de solucioná-los.

Um dos casos mais comuns é o famoso dilema “fazer internamente” x “terceirizar”. Neste caso podem existir distorções dos dois lados. Na maioria das vezes o gestor de operações é contra a terceirização por temer perder o controle direto, decorrente da relação chefe-subordinado, e forja relatórios em que o processo de terceirização ficaria amis caro ou comprometeria seriamente a qualidade dos produtos e serviços ofertados. Na outra ponta, existe a terceirização do próprio “core” da empresa em função de algum interesse particular, a contratação dos serviços da empresa de um parente por exemplo. Neste caso o relatório forjado demonstra as excepcionais vantagens da terceirização em termos de custo, sem nunca levar em conta uma otimização do processo interno da empresa. Esses dois casos, muito comuns no dia-a-dia das empresas brasileiras são facilmente detectáveis por uma consultoria experiente, que fará seu trabalho de uma maneira clara e consistente, que pode até ser óbvia, mas que necessita ser feita. O levantamento real dos custos dos processos existentes e da qualidade dos produtos e serviços ofertados versus a análise dos produtos e serviços ofertados pelo mercado correspondente e seus preços de contratação. Além da análise econômica sobre a relação custo-benefício, são avaliados os impactos estratégicos dessa decisão, abrangendo os impactos em termos de Vendas, Marketing, Produtividade Interna, percepção dos funcionários, percepção do mercado de fornecedores e clientes. Essa é a análise séria, essa é a obviedade citada pela média gerência, que muitas vezes tem a clareza da situação em mente, mas não possui os meios para endereçar uma solução.

Resolvidos os problemas mais expostos, o trabalho das consultorias passa a ser, normalmente, de ajuste de sintonia fina, cujos resultados demoram mais a aparecer. A continuidade é aderente aos investimentos em qualidade, ou seja, a partir de um determinado patamar o investimento necessário para alcançar um grau incremental de melhoria sobe exponencialmente. Na consultoria esse investimento é traduzido em termos de tempo de pesquisa e análise.

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