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A obsessão com a concorrência por Daniel Schnaider

A obsessão com a concorrência


Ao correr uma maratona você se depara com duas escolhas. A primeira, é comparar o seu tempo de corrida com as diferentes marcas de seu treinamento. A segunda é olhar para trás, para os lados e para frente para saber onde estão seus “concorrentes”.


Concorrência é um tema de grande importância, porém, em minha humilde visão, na maior parte das empresas em que visito, a obsessão se sobrepõem a lógica.


Imagine que finalizou sua primeira corrida de meia maratona (21 KM) em uma hora e meia. Você sente que pode e quer obter um resultado ainda melhor, mas o que fazer?  As atitudes a serem tomadas podem variar de dormir mais e melhor, melhorar a alimentação, espaçar os treinos para que você tenha uma melhor recuperação, utilizar técnicas para melhorar a respiração, parar de fumar, entre muitas outras.


A empresa como o esportista, pode e deve tomar decisões olhando para dentro, pensando o que posso melhorar e como. Existe muito a evoluir internamente antes que as decisões da concorrência sejam sua prioridade.


Entender o que o concorrênte está fazendo pode trazer excelentes insights mas é mais provável que tire o foco da empresa do que é realmente importante. Voltando para nosso exemplo, imagine que seu “concorrênte” treina a mais tempo. Ao usar ele como parâmetro de comparação, você pode passar dos seu limites e provocar lesões que vão piorar sua situação para as próximas corridas.


Empresas e pessoas tem vantagens competitivas bem diferentes umas das outras que devem ser exploradas. Ao ter como base o vizinho, você pode estar deixando de descobrir e desenvolver suas capacidades únicas para tentar amplificar ou copiar algo que não lhe é vantajoso.


Larry Ellison, co-fundador da Oracle, uma das maiores empresas de software do mundo, sempre fala piadas de seus principais concorrentes em suas palestras. Este tipo de comportamento varia entre o ridículo por um lado, e o necessário, do ponto de  vista que milhares de clientes precisam de reforço que fizeram uma boa decisão. No fim, este tipo de conversa, serve como mal exemplo para empresários muito menores que podem multiplicar seus negócios muitas vezes antes que a concorrência se torne seu maior e principal desafio.


Em contraste a empresa Microsoft analisou o mercado de jogos e chegou a conclusão que existe espaço para mais um console de jogos, e criou o XBox para competir com o Sony Playstation. Mas seus fracassos na área de celular, pesquisa na internet, musica, mídia, trocas de mensagens e redes sociais se deram por problemas internos.

Para mostrar consistência nesta tese, perceba que sempre que um pais tem muitos problemas ele tira o foco através de algum conflito, muitas vezes artificial com seus vizinhos (“concorrentes”). Me parece natural do ser humano achar que o prato do outro é mais gostoso, que pasto do vizinho é mais verde, o que nós faz esquecer do objetivo que almanejamos.  Por isso recomendo a meus clientes, entender seu mercado, estudar a concorrência, conhecer sua virtuosidade mas viver os desafios urgentes do presente, hoje.  

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