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Reputação em bits - Elaine Lina

Reputação em bits

(*Por Elaine Lina)


Big data, compartilhamento, interatividade... o mundo encolheu e as fronteiras caíram. Estamos mais próximos - e algumas vezes mais sozinhos também. Os números são assustadores quando mostram a quantidade de conteúdo compartilhado mundo a fora  todos os dias nas mais diversas redes sociais - pessoais ou corporativas. Paralelamente, cresce o número de spywares, adwares, malwares, e todos os "wares" malignos - bichinhos virtuais desagradáveis - que aterrorizam os pobres internautas em seus momentos de trabalho ou lazer.

E não sobra bit sobre bit. É uma devastação total. Dados confidenciais que vão parar nos emails de todos os seus contatos. Planilhas sigilosas que vão direto para seu concorrente. Sem falar na manipulação de conteúdos, fotos e documentos antes da famigerada disseminação na rede por puro prazer sádico dos crackers, o que pode destruir em minutos reputações construídas ao longo de anos.

E quanto tempo leva para reverter uma reputação maculada na rede? Bem, a experiência tem mostrado que algumas vezes o dano nunca é totalmente reparado. E qual o custo disso para sua imagem, para a imagem da sua empresa, dos seus produtos? Há um ditado que diz que "uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade". Bem, as mentiras na internet podem ter uma audiência algumas milhares de vezes maior que mil.

E aí? O que fazer? Como controlar toda a informação que circula dentro da empresa, entre os PC's e notebooks e tablets e smartphones de todos os funcionários e parceiros e visitantes todos os dias na empresa? A resposta ultrapassa em muito a questão da tecnologia avançada de antivírus ou qualquer proteção eletrônica que se possa lançar mão. Não há software ou hardware que sobreviva a uma única pessoa mal informada ou mal intencionada que faça mau uso de uma informação sigilosa da empresa na eterna batalha pela famosa "Segurança da Informação". Sim, porque dados podem ser gerados por máquinas, mas informação é gerada por pessoas. E é para estas pessoas que os gestores precisam olhar se realmente desejam reduzir os riscos de dano à reputação e imagem da sua marca, e sustentar a confiança da opinião pública na empresa. Por isso é tão importante ter um plano de Comunicação/Relações Públicas bem definido e bem executado. É ele que garantirá que os seus interlocutores - sejam funcionários, gerentes, parceiros - entendam e pratiquem as normas de segurança e conduta da organização. 

Um ótimo exemplo disso é o banco Santander. Além de um portal muito bem estruturado, com conteúdo de qualidade, comunicação clara e bem distribuída e sempre atualizada nas áreas de sustentabilidade, cidadania e dicas de gestão de finanças, a empresa mantém um manual de “Política de Segurança da Informação para Correspondente Bancário” – disponível no próprio site. Este documento explica o que é segurança da informação e apresenta em detalhes as práticas estabelecidas para a empresa em relação ao acesso, utilização e divulgação de informações, classificando-as quanto à sua confidencialidade. Também trata de responsabilidades sobre documentos, e até do comportamento dos correspondentes inclusive fora da empresa, recomendando critério ao se comentar sobre assuntos internos que possam comprometer essas boas práticas.

Como se vê, o segredo mais uma vez é não improvisar. Não se pode brincar com algo tão sério quanto a reputação e a imagem de uma marca, sob risco de inviabilizar totalmente o negócio. Lembrando que, da mesma forma, quem compra são pessoas, e pessoas não compram de empresas das quais não gostam ou nas quais não confiam - a menos que estejamos falando de monopólio, como água encanada ou energia elétrica, mas esta é a exceção. A opinião pública - ou de um único público estratégico - pode decidir se sua marca permanece ou morre. Portanto, é preciso contar com políticas bem definidas de acesso e uso da informação em todos os níveis, e é preciso, mais que tudo, permanentemente informar e educar o público interno sobre essas políticas, de forma clara e participativa. Ele precisa saber desde porque não pode instalar aplicativos pessoais no computador da empresa e copiar arquivos sem autorização, até os riscos de esquecer um documento na máquina copiadora do departamento. E isso é a Comunicação que consegue, levando a informação correta, com a linguagem correta, pelos canais corretos.

Um bom programa de comunicação e relacionamento com públicos estratégicos - seja interno, investidores, imprensa, governo ou qualquer outro - faz toda a diferença na eficácia da segurança da informação e na preservação da boa imagem da empresa. Boa empresa = boa imagem = bons negócios!

*Elaine Lina é diretora de Planejamento de Relações Públicas e Novos Negócios da Sato7 Comunicação Estratégica. Pós-graduada em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela ECA-USP, foi presidente do Conselho Profissional de Profissionais de RP da 2ª Região, SP/PR por duas gestões.


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