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Melhoria continua Vs Inovação por Daniel Schnaider

Melhoria continua Vs Inovação


Kayzen, Six Sigma e Lean são algumas das técnicas de gestão de melhoria continua. Por um lado, a nação verde-amarelo não poderia estar mais longe delas. Na cultura do “vamos esperar para ver o que vai acontecer”, nos mantemos estáticos até que tenhamos “evidências” sobre o futuro para tomar atitudes na empresa. Por outro lado, nos útlimos anos, empresas pioneras em técnicas de melhoria continua como sua inventora Toyota a Motorola e GE estão passando, cada uma de sua forma, por dificuldades.


Então cabe perguntar se é possível melhorar a firma ou que a mesma está apenas sujeita as forças globais e locais. Na mesma linha, questiono se é possível criar um sistema de melhoria auto-sustentável ou que este não é possível pelas mesmas razões que a empresa “envelhece”, seu sistema de melhoria continua também.


O consultor empresarial, Ron Ashkenas, autor do livro “simplesmente eficiênte”, acredita que as caracteristicas culturais, capacitação e métricas necessárias para inovar são fundamentalmente diferentes dos principios da melhoria continua.


A 3M como exemplo, usa uma versão mais “light” do Six Sigma para conseguir os benefícios da melhoria continua por um lado, mas sem comprometer o processo de inovação por outro.


Daniel T. Jones, fundador da academia Lean Enterprise acredita que o segredo está em identificar em que o cliente dá valor. Uma vez que a percepção e as prioridades do cliente mudam, também devemos reestruturar nossos processos para assim focar no que é agora importante.


Acredito que as opiniões do Sres. Ashkenas e Jones complementam uma visão micro-economica de oferta e demanda no que diz respeito as mudanças internas que a empresa deve aplicar.


No entanto, em minha opinião, o critério macro-economico, essencial para o sucesso de qualquer empresa, não consta em suas análises.


Neste quesito queremos perguntar, se nós empresários estamos felizes com nossos clientes. A visão de que “o cliente mudou” e portanto nós devemos mudar com ele, deve ser considerada com uma das possibilidades e não como o décimo primeiro mandamento.


Esta é uma verdade que toda startup considera; a de quem deve ser nosso cliente. Empresas maduras muitas vezes não lembram que podem rever escolhas estratégicas. A Kodak e a Fujifilm são dois exemplos opostos deste caso.


Hoje a Kodak, a empresa que foi lider e pionera em cameras e filmes, além de ter sido a inventora da camera digital, está em processo de falência. A Fujifilm por sua vez, desenvolveu produtos cosmêticos vendidos na Asia e Europa, com base em seu conhecimento em anti-oxidantes; desenvolve produtos na área de saúde para prevenção, diagnostico e tratamento de doenças; comercializa componentes para tablets, telas LCD entre várias outras soluções.


Esse talvez seja o verdadeiro Aquiles das metodologias de melhoria continua. Organizações muitas vezes estão “melhorando” algo que não requer ser melhorado mas que na realidade deve parar de existir em sua forma atual.


Projetos de melhoria continua aplicados em diferentes entidades estão presumindo sobre a economia, mercado, cliente, produtos, serviços e futuro.


Com esta lógica, a única coisa que “resta” melhorar é o processo.


O incrível caso da Fuji nos ensina que este processo de inovação ou digamos de renovação deve começar com seus líderes, os únicos de fato que podem questionar o status-quo e fazer algo a respeito.


O risco de trocar a ordem de inovar e melhoar, é parecida a de adicionar um motor turbo ao navio que vai em direção a algum destino, sem saber se o mesmo é o correto.


Primeiro devemos ter claro aonde queremos chegar, depois que temos a equipe certa, por meio de capacitação ou contratação, por último, devemos melhorar o processo continuamente para chegar ao destino com mais eficiência.


Aqui a ordem dos fatores sim altera o produto e por consequencia os resultados. Que os digam os acionistas da Kodak.


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