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A supremacia dos valores

A supremacia dos valores

(*Por: Daniel Schnaider)


Empresas especializadas, professores renomados, consultores empresariais. Todos falam da importância em definir os valores da empresa no processo de criar uma estratégia para a organização - seja ela de fins lucrativos ou não.


Porém, acredito que a grande maioria dos funcionários não entende por que os executivos gastam tempo criando esses “valores”, que serão mais tarde anunciados pelas empresas em seus mais diversos meios de comunicação, como jornal interno, eMail corporativo, eventos periódicos de relacionamento, vídeos no youtube  e nas redes sociais. É claro. Do ponto de vista do funcionário industrial, por exemplo, que pinta as peças, ou do colaborador no departamento financeiro, ou da tecnologia de informação, realmente, "nada vai mudar".


Eles vão exercer suas funções exatamente da mesma maneira no dia seguinte ao da definição e publicação dos “valores”. Então, ao olhar de muitos deles, esta é mais uma “encheção de saco”, burocracia, perda de tempo do sistema corporativo, enquanto “nós fazemos o trabalho de verdade”.


É incontável o número de vezes que presenciei funcionários rindo e debochando dessas “novas mudanças” no almoço, depois do trabalho e eventos sociais. E sendo o próprio consultor que muitas vezes sugere mudanças no “porquê da empresa”, “visão”, “missão”, “objetivo”, “estratégia”, “marcas”, entre várias outras, estava curioso para entender a fonte desse desinteresse por parte do nível operacional.


Há poucas semanas, durante um trabalho de restruturação de uma empresa com seus executivos, vi de forma vívida e clara, com meus próprio olhos, tanto o problema como o que creio ser a solução. A meu ver, a base do desafio é explicada por um princípio econômico chamado "intransitividade" (veja bem que esta palavra é usada por diferentes domínios com significados diferentes. Meu foco neste artigo é a definição usada em micro economia).


Dois exemplos simples que devem explicar o termo, de quando éramos crianças. Se Marcos é mais forte que Roberto, e Roberto é mais forte que Felipe, então se houver transitividade Marcos deveria ser mais forte que Felipe. Mas esta lógica nem sempre existe, e é chamada de intransitividade.


A intransitividade pode ser explicada pelo jogo “pedra, tesoura e papel”. Neste caso, a pedra é mais forte que a tesoura, a tesoura é mais forte que o papel, mas a pedra não é mais forte que o papel. Simples, não é?

É isso que acontece nas empresas. A realidade é intransitiva, mas a percepção humana a entende como transitiva. Para uma grande parte das pessoas a intransitividade é um “paradoxo” ou ambiguidade.


Bem, e o que tudo isso tem haver com os valores?


Por exemplo, uma pessoa se acha 100% íntegra, mas toma atitudes que não são íntegras. Note-se que não estou falando de hipocrisia, e sim da falta de consciência e consistência em psicologia, conhecida como “dissonância cognitiva”.


Se o individuo soubesse, entendesse, refletisse, não agiria desta forma por escolha. Logo, não basta definir os valores da empresa, há que se saber implementá-las. E neste processo é preciso demonstrar ao empregado, por meio de simulações, jogos, trabalhos em grupo e individuais, que existe um desequilíbrio entre o que ele acha e diz de si mesmo, e o que é executado.


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