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Entrevista - No Final das Contas - Finanças Pessoais

Entrevista com Victor Corazza Modena & João Henrique Ribeiro especialista em finanças pessoais


1. Para um empreendedor, qual é a melhor forma para separar e planejar as finanças pessoais e as finanças corporativas, na visão de vocês?

É fundamental que o empreendedor saiba dividir muito bem o seu dinheiro e o da sua empresa. E pode parecer simples, mas muitas vezes não é. A ideia de que o dinheiro que se investe sai do mesmo bolso (pessoa física e jurídica) e que, portanto, quando o dinheiro entra o bolso também é o mesmo, pode confundir os mais preparados empreendedores.

Na verdade, acreditamos que isso também é uma crença.
Em nossa visão, o empreendedor deve determinar uma retirada mensal – condizente com o momento da sua empresa e mercado de atuação – e ser bastante comprometido com este valor.

Por comprometido, entendemos que ele deve fazer sua gestão de finanças pessoais como se este fosse o seu salário, sua principal fonte de renda, mesmo que a empresa esteja indo muito bem e que exista mais dinheiro em caixa para uma “retirada extra”. Assim, ele saberá exatamente com quanto pode contar por mês e como é a real situação da sua empresa, porque terá também visão do caixa da pessoa jurídica.

Ao final do exercício, o empreendedor pode – e deve – decidir quanto do excedente deve ficar no caixa para futuros investimentos e reserva, e quanto ele deve remunerar-se como acionista do seu negócio.

Resumindo, a ideia é de que ele deve vestir dois chapéus: um do empreendedor que atua e trabalha na empresa – e que por este trabalho é remunerado – e o outro do investidor, que abriu um negócio e que espera ser remunerado com parte da sua lucratividade.


2. Aposentadoria: Quanto uma pessoa deve economizar mensalmente para garantir sua aposentadoria, num contexto de aumento da expectativa de vida e instabilidade sobre o futuro da previdência social?

Trabalhamos muito o conceito de Tranquilidade Financeira, que, para nós, é ter uma entrada de recursos proveniente de investimentos que seja suficiente para manter o seu padrão ou estilo de vida pretendido sem alterar o investimento principal. Na prática, é como se houvesse, todo mês, uma conta a mais para ser paga obrigatoriamente: a TrF! Só que você paga a você mesmo. Ela representa 10% de sua renda, independentemente se é regular ou não, se você é autônomo ou possui carteira assinada. A ideia é poupar, com o propósito de garantir sua Tranquilidade Financeira, ao menos 10% de todos os seus ganhos líquidos. E acompanhar estes investimentos, até que ele renda - sozinho - o suficiente para manter seu estilo de vida pretendido.

 

3. Investimento: como diversificar seus investimentos?

Diversificação de investimentos é sempre um assunto com um leque de linhas de pensamento e várias empresas que podem fazer recomendações específicas. Entretanto, um fato deve ser comentado: diversificação diminui o risco dos investimentos. É a tradicional Teoria de Markowitz, “nunca se deve colocar todos os ovos numa mesma cesta”. Outro ponto importante a ser dito é que essa diversificação deve ser alinhada com o perfil de relação com o risco de cada pessoa, sendo que alguns investidores são mais agressivos e gostam de se expor ao risco mais do que outros. O acompanhamento de um especialista é sempre recomendável.


4. Em um exemplo de uma pessoa que possui R$ 200 mil poupados, 15 anos de experiência em sua área de atuação e um salário de R$ 10 mil por mês, qual orçamento mensal para casa e quanto economizar? Que ferramentas ele tem pra fazer uma boa economia?

Podemos abordar as questões separadamente.

No exemplo citado, o tema principal é Gestão Financeira. Existem várias linhas de pesquisa e de tendências quando falamos em categorias de consumo e poupança. A linha que seguimos destina as proporções de 80% e 20% para consumo e poupança, respectivamente. O ponto é como separar, dentro dessas grandes caixas, estes percentuais, fazendo escolhas melhores e mais conscientes. Se falarmos de poupar, metade dos 20% é destinada à Tranquilidade Financeira e a outra metade, para trocar um carro, comprar uma casa, realizar um investimento ou iniciar uma nova carreira. Com os R$ 200 mil, podemos pensar no melhor propósito ou objetivo dentro das necessidades e pretensões da pessoa do exemplo, como investir em produtos financeiros, na aquisição de uma casa ou de uma empresa, mas sempre visando seu real aumento de capital.

Quando o assunto é consumo, devemos categorizar os propósitos dos gastos, separando-os em Necessidades Essenciais, Diversão, Desenvolvimento Pessoal e Fazer Pelo Outro, este aliás é fundamental, uma vez que quem exercita a gratidão e o compartilhar, além de reconhecer que ninguém faz nada sozinho, limita os pensamentos e sentimentos ruins e alimenta a alma e o espírito.

Para fazer uma boa economia existem várias ferramentas que podem ajudar. Com o intuito de pagar menos nos itens que for comprar, a Internet está aí com bons pesquisadores de preços. Se formos falar na Gestão Financeira como um todo, a NFC lança no final de semana do dia 27 de janeiro, na nossa primeira turma, o aplicativo de celular “Amigo do Bolso” que tem o propósito de trazer para a população o hábito de gerenciar bem suas finanças.


5. Por que uma pessoa deve saber sobre Finanças Pessoais? Como funciona o método de vocês?

É importante aprendermos sobre Finanças Pessoais porque nenhum de nós aprendeu a lidar com dinheiro na escola. Aprendemos na vida, acertando e errando e, principalmente, com os modelos que moldam nossas crenças. São as crenças que determinam o nosso comportamento. Em última análise, são elas, as crenças, que fazem com que tenhamos a indisciplina financeira que temos. Então, se nosso resultado não é o que pretendemos, precisamos mudar as crenças para que tenhamos um comportamento adequado e que gere o resultado esperado.

Na nossa visão, não adianta aprendermos modelos simples, apenas entendendo como Ganhar Mais ou Gastar Menos. O problema é maior do que isso. É necessário trabalharmos as crenças das pessoas, alterando seu comportamento e sua relação com dinheiro. Depois, aplicamos um modelo de Gestão Financeira extremamente eficiente e testado. Com um mindset preparado e com o conhecimento de planejamento financeiro bem sedimentado, a terceira etapa consiste em tornar a execução de tudo isso um hábito. Para isso, desenvolvemos um aplicativo de celular. Falamos, assim, em Gastar Melhor! É quase como consultar um nutricionista: uma reeducação financeira, através de ferramentas poderosas que mudam completamente nossa relação com nosso dinheiro.


6. Um casal com seguro de vida cujo valor seja de um milhão de reais, tem alguma necessidade que vai além deste valor?

Seguro de vida é sempre bom ter. Porque, de certa forma, protege os beneficiários caso os titulares venham a faltar. Mas existem muitas outras necessidades além desta. Podemos destacar algumas:

  1. De nada vale ter um seguro de vida, se as despesas do casal ou família estiverem descontroladas, porque o dinheiro do seguro não vai dar equilíbrio nas contas do casal. A não ser que um deles venha a falecer. É como aquela antiga piada do camarada que está todo enrolado em dívidas, mas tem um bom seguro de vida. Ele acaba valendo mais morto do que vivo. Neste caso, o casal precisa equilibrar suas finanças e aprender a gastar melhor.

  2. Um bom plano ou seguro de saúde. Mais uma vez, dependo da quantidade e idade dos beneficiários, isso pode ser uma despesa significativa no orçamento familiar. Mais uma vez, vale a máxima de que é fundamental planejamento e disciplina para manter as contas sob controle.

  3. Plano de aposentadoria. Hoje, todas as pessoas que são responsáveis e educadas financeiramente precisam pensar em um plano para o futuro, para aquele momento em que a produtividade não será mais a mesma, bem como os rendimentos. E, ainda por cima, um momento em que as despesas com saúde tendem a ser maiores. Quem tem educação financeira sabe que o foco não é se preparar para a velhice e para aposentadoria. É preciso programar sua tranquilidade financeira. Desta forma, a aposentadoria poderia chegar bem antes da idade.

  4. Por fim, deixar o legado da educação financeira para os herdeiros. Já ouvimos de muitos pais e responsáveis que o maior patrimônio que podem deixar para os filhos é a educação. Mas muitos não se preocupam com a educação financeira. Preparar os pequenos desde cedo a se relacionarem bem com o dinheiro, a planejarem suas compras, é fundamental para que possam ter tranquilidade no futuro. Não adianta nada o casal ter um bom seguro de vida, se os beneficiários não souberem como gerir o dinheiro caso o recebam. Então, educação é sempre o melhor investimento.


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