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Emprego dos sonhos por Ney Cavalcante

O emprego dos sonhos
Entrevista com o autor Ney Cavalcante


1) Quem são as pessoas que devem comprar o seu livro "Emprego dos Sonhos"?


Estudos mostram que o profissional muda de emprego em média cinco vezes durante sua vida produtiva. Em princípio, quem terá necessidade de ler este livro são todas as pessoas que estão para ingressar no mercado de trabalho e também as que já estão na ativa, pois em alguns momentos da sua vida irão se defrontar com a necessidade de planejar transição de carreira. Apenas para citar como exemplo: um executivo que tenha ficado na mesma empresa por muitos anos e se vê com a necessidade de procurar um novo emprego precisa sair da “inércia”, se atualizar e desenvolver estratégias corretas para atingir seu objetivo em curto espaço de tempo.

Devemos considerar que é impossível determinar com precisão o tempo que levará a procura por um novo emprego, pois são muitos os fatores que irão influir. Uma procura prolongada demais trará prejuízo de ordem financeira, moral e psicológica. O livro “O Emprego dos Sonhos” se torna uma ferramenta de grande apoio nestes casos. Ele se propõe estimular as pessoas a perceberem suas possibilidades positivas mais nitidamente.  



2) Muitos dos profissionais brasileiros se mostram infelizes em seus lugares de trabalho. Porém esses mesmos funcionários dizem não saber o que querem fazer? Alguns não tem consciência no que são bons. Como se pode ajudar a esses profissionais? 

Este é um caso mais comum do que se imagina. Quando o profissional toma ciência da sua infelicidade, de que está meio perdido e de que precisa se valorizar, já é meio caminho andado para encontrar a solução. Nesta situação, se ele tentar encontrar a solução sozinho ou buscar ajuda com um parente ou amigo, provavelmente não vai funcionar devido ao envolvimento emocional que existe entre eles. O indicado e que funciona melhor é buscar apoio de um profissional que tenha experiência comprovada como COACH de Carreira. Existem “ferramentas” que podem mostrar os “gaps” no desenvolvimento do profissional. Nas sessões que irão se suceder o próprio profissional irá descobrir o caminho que deve ser seguido para ele atingir seu objetivo final.


No nosso livro tem uma frase do Oscar Wilde que tem muito a ver com este assunto:


“A insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou de uma nação”.  



3) Você já treinou milhares de profissionais para que esses obtivessem o emprego dos sonhos. De todos seus coachees, qual foi em sua opinião a estória mais emblemática? 


Realmente são muitos os casos interessantes, daria para escrever um livro somente contando estas histórias, mas vamos abrir o livro “O Emprego dos Sonhos” e escolher um aleatoriamente. Abri na página 30, é o caso do Cesar Álvares. Ele já havia enviado muitos CVs, mas o retorno não tinha sido satisfatório. Numa das nossas sessões de apoio ele perguntou se poderia enviar CVs para empresas da Federação das Indústrias. Ele mesmo respondeu que sim. Foi o que ele fez. Mapeou o nome dos Diretores e Presidentes das maiores organizações fazendo contato com dezenas delas. A mudança foi quase imediata, sendo chamado para muitos contatos promissores, mas um deles despertou especial interesse. Era uma empresa tradicional e familiar, fabricante de farinha de trigo e massas.


Cesar preparou-se muito bem fazendo levantamento completo sobre a história da empresa, dos produtos, concorrentes, posição no mercado, perspectivas de futuro e também da família e seus dirigentes. Quando teve contato com o jovem filho do dono houve um forte “rapport”. Nesta conversa o Cesar identificou as verdadeiras necessidades da empresa e aproveitou para demonstrar ter competência para atingir os objetivos pretendidos. Uma semana depois foi marcada a entrevista com o fundador. A tensão e expectativa aumentaram.


Depois de uma boa conversa com muita objetividade o Presidente da empresa falou: “Queremos diversificar nossos negócios. Estou precisando de um braço direito para gerenciar a fábrica. O que você tem para me oferecer?” Cesar Álvares espirituosamente respondeu: “Eu lhe ofereço meu braço direito, também o esquerdo e como brinde as duas pernas”. Os dois riram muito e ele foi contratado como gerente.


Em apenas noventa dias Cesar já estava como Diretor. Dois anos depois passou a ocupar a posição de vice-presidente, permanecendo na empresa por mais de 20 anos. Cesar Álvares soube se preparar e ver o futuro. Ele contribuiu muito para o crescimento da empresa.


Desde o início o Cesar mostrou ser possuído de automotivação, atitude positiva e visão de sucesso em seu futuro. Antes dele alcançar seu objetivo sentiu o gosto amargo das entrevistas infrutíferas, mas isto ele via como mais enriquecimento do seu aprendizado. Observe que muitas vezes o que você quer depende fundamentalmente do seu entusiasmo e da sua atitude.


Nelson Rodrigues, escritor dramático, nascido em Pernambuco, mas criado no Rio de Janeiro, produziu muitas frases que ficaram célebres. Uma delas tem a ver com o que estamos falando: “sem entusiasmo não dá nem pra chupar picolé”. Nós podemos conscientemente produzir entusiasmo em nosso íntimo procurando valorizar o lado positivo de cada situação, seja na área profissional, na faculdade, no casamento...



4) Em sua opinião, empresas também tem responsabilidade em contratar pessoas que claramente não estarão satisfeitas no emprego? O que essas firmas podem fazer para melhorar o seu processo seletivo?



Com certeza as empresas têm total interesse em contratar líderes positivos, competentes e comprometidos com o sucesso do empreendimento. A responsabilidade do pessoal que trabalha com o RH em recrutamento e seleção é enorme. Uma seleção errada produz um prejuízo irrecuperável.


Será elevado o valor se formos computar o tempo de busca por bons candidatos, entrevistas e testes no processo de seleção, para finalmente escolher o finalista. Depois vem o período de treinamento e adaptação. Somente depois de alguns meses a empresa vai descobrir se escolheu o candidato certo. Se foi o errado, todo o investimento será perdido e o processo terá que recomeçar, serão mais alguns meses, sem falar que o “selecionado errado” pode ter cometido alguns erros incorrigíveis. Será um prejuízo irreparável.


As empresas estão conscientes disto. Desta forma estão constantemente buscando novas e mais eficientes ferramentas para avaliar candidatos, embora saibam que dificilmente irão encontrar o processo de seleção infalível. Como sabemos o ser humano é complexo e repleto de possibilidades, mas isto não nos impedirá de buscar apoio na ciência e na tecnologia. É claro que o conhecimento técnico, a sensibilidade, percepção e capacidade intuitiva do selecionador irão ajudar muito.



5) Um dois grandes problemas de profissionais em transição de carreira (e até mesmo nesses iniciando a sua carreira) é que desconhecem o que existe no mercado. Afinal, empresas não publicam detalhes sobre vagas e muitas vezes é o profissional que define a própria vaga. Como se pode almejar um objetivo sem o conhecer claramente?


No livro “O Emprego dos Sonhos” o leitor vai encontrar algumas sugestões um tanto ou quanto inusitadas. Por exemplo: sugerimos que ele imagine uma cena do consultório do médico com o paciente. Para poder receitar o medicamento certo o médico precisa fazer um trabalho para diagnosticar o problema. Ele conta com sua experiência e psicologia para fazer a “anamnese”, procura entender o estilo de vida do doente fazendo perguntas pertinentes e pedindo permissão para examinar. Muitas vezes irá precisar de exames mais complexos para determinar a causa do problema e qual deverá ser a solução.


Uma das dificuldades da maioria dos candidatos é que eles são condicionados a ficarem submissos ao selecionador e isto impede dele descobrir e entender o verdadeiro problema da empresa indo descobrir somente depois que foi admitido. Nós fomos condicionados a obedecer ordens. A sugestão é desconstruir, quebrar paradigmas.


No livro é recomendado que o candidato se prepare psicologicamente para se colocar em posição de igualdade, respeitosamente nivelado com o selecionador, sem se deixar ser apenas conduzido. Exatamente como faria o médico com o paciente.


O candidato é o médico que tem a solução para o problema do selecionador. Para diagnosticar, o médico necessita estar preparado para respeitar o paciente, ele precisa saber fazer as perguntas certas e demonstrar competência, caso contrário o paciente nunca mais volta no seu consultório. O candidato precisa sair da sua atitude passiva e desenvolver estratégias para descobrir o que está afligindo a empresa e o que ele pode fazer em seu benefício. O selecionador só irá contratar o candidato quando este provar que o investimento terá retorno.



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