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Encontrando a agulha certa

Encontrando a agulha certa

Por: Daniel Schnaider

Recrutando talentos para sua empresa e filtrando todo o resto

Nos cursos, livros e revistas de gestão, em eventos corporativos de grandes empresas, li e ouvi várias vezes sobre a importância estratégica das pessoas dentro da organização. Afinal, quem opera as empresas são pessoas, quem cria os produtos ou serviços são pessoas. Mesmo em uma indústria automatizada por máquinas, são pessoas quem as inventaram, desenharam e produziram. É claro que aquela máquina não chegou na fábrica por acaso - foram pessoas que as transportaram e são elas que as operam.


Pessoas transformam empresas em sucesso ou as levam ao fracasso. Me recordo de um caso em que o cliente perdeu um contrato milionário porque o motoboy se “atrasou” para entregar a documentação necessária para a administração pública.  Na verdade ele havia parado para tomar um chop com os amigos. Em outro caso, recente, a secretária perdeu o contato de um comprador, referente a um negócio  “irrisório” de cinquenta milhões de reais.


Em 2012, a SCAI Group realizou uma pesquisa entre 729 profissionais de recursos humanos no Brasil. Nossas amostras incluíam indivíduos dos principais centros urbanos, com faixa etária e salarial que variavam. Nosso objetivo era responder: “Os profissionais de recursos humanos são capazes de distinguir os talentos entre todos os candidatos durante o processo de seleção?” A ideia era poder publicar os resultados em revistas ou jornais.


Ficamos em choque com os resultados, que de tão negativos decidimos não publicar. Eis aqui mais um paradoxo das empresas brasileiras. Se as pessoas são tão importantes, porque os departamentos de recursos humanos, responsáveis por encontrar candidatos, avaliar seu conhecimento, competência, experiência, valores e potencial são tão desestruturados?


Algumas das falhas críticas encontradas em nossa pesquisa:

  • Processos: Não foram devidamente planejados. O processo seletivo era iniciado, sem que estava claro como mensurar candidato excelentes, muito bons, bons, razoáveis e inadequados.  

  • Continuidade: Encontrar talentos é um processo contínuo, e não deve ser considerado uma atividade pontual, exercida somente na hora da contratação.

  • Estereótipos e talentos caminham em sentidos opostos. Por exemplo: Vários dos entrevistados usavam a universidade do candidato como filtro para próxima etapa. Agora pense em grandes talentos de nossa história. Bill Gates, Steve Jobs, Mark Zuckerberg - nenhum deles finalizou universidade. Em outro caso, um candidato que havia estudado na California Institute of Technology (CalTech) havia sido desconsiderado porque não se tratava nem da USP, FGV ou Unicamp; A CalTech foi considerada em 2013 a melhor universidade do mundo!!!


Imagine se Einstein tivesse nascido no Acre. Talentos devem ser mensurados não apenas pelo que sabem no momento da entrevista, mas pelo seu potencial!


Uma das empresas líderes em pagamento eletrônico entendeu como selecionar talentos. Em seu processo seletivo, ela não dá somente ênfase na formação do candidato e na sua  experiência profissional. O critério principal é a capacidade de aprendizagem.


Com a velocidade que novas tecnologias são adotadas, mudanças na economia, e em políticas, colossos empresariais que desmoronam e empresas de garagem que viram impérios - o que interessa é a capacidade de se adaptar, ler tendências, estudar e se renovar, ser consistente, íntegro, criativo. Por um lado ter pensamento abstrato e por outro uma execução pragmática e, claro, saber escutar e se comunicar. Essas não são qualidades que se podem facilmente ler em um currículo ou perceber em uma entrevista comum.


Entretanto, difícil não significa impossível. Em tempos passados, quando eu era militar, era imprescindível encontrar talentos. Assim, montamos um processo rigoroso que nos permitia reconhecer excelência. Tenho certeza que esta necessidade é fundamental para empresas brasileiras, pois a concorrência por estes indivíduos especiais está cada vez mais agressiva. Empresas como Google, GE, Petrobrás, Itaú, entre muitas outras, os querem.


Caso você esteja cansado de “apagar incêndios”, tome uma decisão estratégica reestruturando o departamento de recursos humanos. Assim você poderá encontrar entre as milhares de agulhas no palheiro, aquela que é a certa para sua empresa.



daniel.schnaider@scaigroup.com

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