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Tentativa e erro por Daniel Schnaider

Tentativa e erro


Há 20 anos você fundava sua empresa. No começo, como todo começo, você não sabia exatamente quem seria o seu cliente. Seria seu foco vender para classe A, B ou C? Varejo, atacado ou exportação? Industria ou comercio. Com o tempo, depois de diversas tentativas frustradas e anos e anos de desgaste, tudo parecia mais claro; você identificou seu nicho de mercado!


Hoje, você já se beneficia de certa estabilidade, já tem patrimônio próprio um belo carro até já comprou imóveis para seus filhos. Sua empresa se beneficia de uma receita continua, com os altos e baixos claro, mas nada que se compare a imprevisibilidade do começo quando não se sabia se iria conseguir pagar os salários de seus funcionários ou as próprias contas.


Apesar de todo crescimento algo voltou a lhe incomodar e muito, a empresa vem sofrendo com a crise econômica que atinge o país colocando-o em níveis de stress que a tempo você tinha esquecido. Certo agravante é saber que um dos seus concorrente consegue crescer na crise. Sua cabeça a mil pensa em diferentes hipóteses e até desculpas para explicar o sucesso dele frente a seu iminente fracasso; “Ele teve sorte de escolher o mercado X quando este está bombando apesar da crise ou por causa da crise.”


Em análise de diversas empresas com estórias parecidas, identifico o mesmo padrão de comportamento que leva empresas a estagnarem e eventualmente a sua deteriorização. Veja que nossa empresa modelo no começo do artigo começou em um processo árduo de teste e erro até identificar o mercado, modelo, preço, produto, serviço, local, processos e estratégia que a levaria ao sucesso.


Diante a indentificação do mercado e ao forte crescimento e oportunidade de negócios a empresa abandonou a tática que á levou ao sucesso, á de tentativa e erro, a de pesquisa e desenvolvimento. É claro que diante de uma grande oportunidade, o foco é essencial para o sucesso. Junto a isso é notório que as empresas de sucesso como também aquelas que se perpetuam no mercado o fazem através da cultura de tentativa e erro, com pesquisa e desenvolvimento.


Como exemplo a Uber, a mais bem sucedida startup dos tempos recentes realiza em vários paises testes de produtos, modelos, formatos, preços para sentir o seu público alvo e visualizar novas oportunidades. A Google ultimamente mudou sua estrutura corporativa criando a holding Alphabet exatamente para continuar permitindo o modelo de tentativa e erro funcionar de forma sistemática, sem ter que prejudicar a operação de sua principal cash-cow. Empresas como Amazon, Apple, Fedex, Alibaba, Facebook, Costco, Starbucks e Nike dão grande enfase a pesquisa ou descoberta de novas “formulas” para depois desenvolver-las. Elas exercem a cultura de tentativa e erro já em sua fundação em contraste com os rumores que o sucesso as permitiu adotar o sistema.


Mas o que é essa “tentativa e erro” que as empresas bem sucedidas fazem? É a mesma coisa feita quando sua empresa foi idealizada, é o processo de descoberta e validação da informação. O conhecimento que certo cliente não compra tal produto a determinado preço, ou indepentente de seu preço, são informações valiosas para definir uma estratégia futura.


Creio que a tentativa e erro para muitos empresários revivem momentos de tanto sofrimento e dificuldade que eles abandonam o mecanismo como uma forma de auto-proteção.  É como se fosse possível descobrir a formula do sucesso nós negócios sem errar no caminho; isso simplesmente não é provável. Outros são mais simplistas e acham que a presunção de uma hipótese seguida por um teste é “jogar dinheiro fora”.  


É necessário apenas uma crise ou concorrente astuto para que a estrutura de mercado mude afetando as regras do jogo e prejudicando a demanda do seu principal produto. Como toda empresa, você tinha preparado sua estrutura (ou custo fixo) para certo nível de demanda, quando esse mudou drasticamente, não é só dinheiro que você perdeu, mas sim muito tempo precioso de tentativa e erro.  



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