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Adquira ou morra - Uma etapa ou a nova realidade por Daniel Schnaider

Adquira ou morra

Uma etapa ou a nova realidade

Mais da metade das tentativas de aquisições vão fracassar, arruinando valor para os acionistas. Porém, se sua empresa não se tornar um comprador regular, é possível que seja adquirida, mas o mais provável é que seja aniquilada.


O valor e o número de fusões e aquisições no mundo se recuperou rapidamente da crise de 2007, batendo novos recordes, com patamar próximo aos 2.5 trilhões de Dólares e duas vezes mais aquisições do que nos anos 90. General Electric, Google e Intel compraram entre eles mais de 500 empresas nos últimos cinco anos.


 


Ocorre que conforme a revista, The Economist, “a concentração é a maior preocupação. Nos EUA, por exemplo, a percentagem do PIB gerado por 100 maiores empresas subiu de cerca de 33% em 1994 para 46% em 2013. Os cinco maiores bancos respondem por 45% dos ativos bancários, acima dos 25% em 2000. O número de startups é menor desde os anos 70. Mais empresas estão morrendo do que nascendo. Fundadores sonham em vender suas empresas a um dos gigantes ao invés de construir os seus próprios titãs.”


O mundo vai ficando mais regulado, com leis como Sarbane-Oxley que vem como resposta ao caso de fraude da Enron, em 2001, instituindo regras para governança corporativa, Basileia II publicado, em 2004, para fortalecer a gestão de riscos dos Bancos, e Dodd-Frank como resposta à crise financeira de 2007. Essas leis influenciam multinacionais no Brasil e seu fornecedores. A isso se somam as leis trabalhistas dracônicas, o embaraçoso sistema tributário e as regulamentações locais. A questão é que o custo fixo dessas infinitas burocracias dificultam a vida da empresa pequena e média muito mais do que interfere na vida de grandes empresas.


Quanto maior a empresa, mais ela pode se beneficiar de lobistas, leia-se associações que vão cuidar de seus interesses em Brasília. Mega empresas podem ter ao seu lado os melhores tributaristas que vão buscar teses, contradições e qualquer forma de pagar menos tributos que as médias e pequenas empresas só poderiam sonhar.


O código tributário que legitimiza a bitributação castiga as empresas pequenas que trabalham no lucro presumido. Imagine 3 empresas destas tendo que se subcontratar sucessivamente. A primeira recebe 100 Reais, sendo tributada em 16,4%, a Segunda recebe 50 Reais (dos 100, a subcontratação) mantendo a mesma percentagem, e sucessivamente a segunda empresa terceiriza 33 Reais de atividade dos 50 que recebeu. O total de imposto a ser pago nesta operação seria de 30% possivelmente inviabilizando toda a operação ou obrigando a primeira subcontratada a tomar riscos excessivos com atividades fora de sua área de expertise. A grande empresa estará no lucro real, e lá a realidade é outra.


Os políticos por outro lado se aproveitam da população mal informada, no lugar de mostrar liderança e uma boa comunicação, e tentam barrar leis importantes como a da terceirização que é claro, beneficia as grandes empresas, mesmo que não seja do seu interesse explícito. Apesar da terceirização fazer sentido para ambas as empresas, do ponto de vista de eficiência, redução do custo fixo a favor do custo variável, especialização, etc. o ônus é menor quando a empresa é maior, uma vez que se tem estrutura e governança para lidar com funcionários.


Além disso,  existem as vantagens naturais das grandes empresas como economia de escala, forte poder de barganha, orçamentos de marketing e equipes de vendas maiores e claro, o acesso privilegiado ao mercado financeiro. As grandes empresas podem muitas vezes escolher seus clientes deixando para as menores atenderem por exemplo, aqueles que tem o pior risco de crédito.


No passado, namorei uma executiva que trabalhava em uma das maiores empresas de tecnologia do planeta. Ela estava envolvida em projetos de compra de empresas com tecnologias inovadoras, não para incorporar sua tecnologia, criar novos produtos ou na verdade fazer qualquer uso de seus produtos. O objetivo era apenas retirar do mercado para que não vire um concorrente no futuro ou pior para que um dos concorrentes a adquira e use seus orçamentos para concorrer de igual para igual. Pequenas e médias empresas não têm esta opção.


Com este presente diagnóstico, entendo que as empresas que não se especializarem em fusões e aquisições paralelo ao seu core-business, vão eventualmente ser pressionadas a vender seu negócio por bem ou por mal - ou vão ser deixadas vivas para cuidar dos clientes que as grandes empresas não entendem ser o bastante lucrativas. Isso por si só, não deixará que elas cresçam, e vai apenas perpetuar o seu contexto frágil já existente.


A vida não é fácil para pequenas e médias empresas. Como a frase, “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”; Se a empresa ficar no mercado, corre o risco de ser destruída pelas grandes empresas podendo ficar com dívidas impagáveis. Se comprar outra empresa, são maiores que 60% as chances de fracasso, diz Alan Lewis e Dan McKone, especialistas em M&A que estudaram 2500 casos.


Então o que fazer? Se o seu negócio cresce organicamente ano a ano, por exemplo, como o mercado de farmácias no Brasil que cresceu dois dígitos quando a média Brasileira foi de recessão, você ainda tem o privilégio de escolher a melhor estratégia entre as duas opções. Pode ser que as circunstâncias ainda permitam o crescimento natural.


Se o mercado está estabilizando ou se consolidando, parece que você não vai ter muitas escolhas se não mirar futuras aquisições como estratégia.


Na situação em que o mercado específico esteja em declínio ou que esta seja a previsão, as aquisições de empresas em setores com alto crescimento com capital acumulado na época de vacas gordas pode salvar a empresa. Como exemplo, recomendei para clientes no setor de importação, comprar ativos (Ex. Industria local) que esteja desvinculado do dólar quando este estava  com tendência de fortalecimento (de fato essa aposta se mostrou lucrativa anos depois).


Em alguns casos, a compra de novos ativos e a venda dos ativos que estão comprometidos. (veja o artigo Ponto de saída) - ou seja, criar uma rotina de comprar ativos promissores e vender ativos em declínio. Neste contexto, veja a empresa como um holding que compra ativos promissores e vende ativos cuja a tendência do seu lucro é decrescer.


Mas como você pode reparar dos exemplos acima, fusões são uma realidade necessária, encontre alguém de confiança para te assessorar, se tiver condições estude o tema, nomeie alguém de novos negócios para estudar oportunidades, pode ser que você nunca vai encontrar algo que lhe agrade, mas de forma alguma não escolha ignorar este tema - pois a alternativa poderá ser o seu fim - os colossos estão chegando.    


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