Imprensa‎ > ‎SCAINews‎ > ‎Set2016‎ > ‎

Entrevista com Erasmo Prioste da empresa Security

Entrevista com Erasmo Prioste da empresa Security


1-    O que a Security Segurança e Serviços faz?

A Security é uma empresa que oferece os serviços de terceirização de vigilância patrimonial, vigilância eletrônica, e facilities e conta com uma Academia para formação de vigilantes. Está no mercado de segurança há 37 anos, conta com 7 mil funcionários e mais de mil clientes.

2-    Qual o perfil dos clientes da Security?

São médias e grandes empresas privadas, condomínios, shoppings e órgãos públicos. São empresas que atuam em todos os setores da economia e que precisam de um plano de segurança patrimonial, seja com vigilante e/ou produtos eletrônicos, a equipe de serviços gerais, como portaria e limpeza.

3-    Quais regiões a Security atua?

Estamos em mais de 500 cidades nas regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Está em andamento um plano de expansão da empresa, a primeira etapa vai até 2020, onde prevemos atuar em todas regiões do país.

4-    Quais serão os investimentos e previsões com esse plano?

Prevemos o investimento de cerca de R$ 35 milhões para expandir nossa atuação no mercado, seja nas cidades que já atuamos ou em novas. Esse valor será investido nas áreas comercial, infraestrutura, RH, marketing e TI. Em 2015 a Security faturou R$ 300 milhões, a previsão é alcançar R$ 500 milhões de faturamento ao ano até 2020.

5-    Para as empresas, quais são os benefícios de contratar serviços terceirizados ao invés de contratar os funcionários por conta própria?

- Focalização dos negócios da empresa na sua área de atuação;

- Facilita o dia a dia da empresa, já que não é responsável pela gestão dos funcionários

- Redução do quadro direto de empregados,

- Encargos sociais, horas extras, horas noturnas, vale-transporte, vale-alimentação, 13º, INSS e tudo o mais são absorvidos pela empresa que presta o serviço de terceirização, tornando a vida das empresas contratantes mais fácil.

- Diminuição dos desperdícios, aumento da qualidade e ganhos de flexibilidade,

6-    Muito se discute ultimamente sobre serviços terceirizados, como ser prestador de serviços afeta na Lei Trabalhista?

Para os funcionários da Security nada é afetado, pois os nossos 7 mil funcionários são registrados em carteira e contam com todos os benefícios que a Lei Trabalhista oferece. Também não somos afetados porque a proposta permite que as empresas contratem serviços terceirizados apenas para segurança, vigilância e limpeza.

7-    Com 7 mil funcionários, e previsão de aumentar esse quadro com o plano de expansão, como é o trabalho de RH da empresa?

Nossa maior preocupação é manter relação com nossos funcionários, porque como ficam alocados nos clientes é fácil que ele perca o contato com a empresa. Para isso não acontecer o RH tem alguns programas voltados à união da Security com nossos funcionários. Além do contato permanente dos funcionários com seus supervisores, diretores e gerentes fazem visitas a todas nossas bases do Brasil para falar sobre as novidades e também para ouvir opiniões, sugestões e críticas dos colaboradores. Iniciamos em junho a Unidade de Treinamento Móvel, que vão às bases de atendimento para oferecer palestras de diversos assuntos, como saúde, trabalho, educação etc para levar mais informações aos colaboradores.

Em julho iniciamos o trabalho com o Centro de Serviços Compartilhados (CSC), para facilitar e agilizar a comunicação diária dos nossos funcionários que têm dúvidas de RH. Basta o funcionário ligar gratuitamente para a ​central de atendimento​que será atendido por profissionais capacitados e monitorados, para sempre aprimorar o serviço e agilizar ainda mais o tempo de resposta.

8-    Qual a situação atual do mercado de segurança privada no Brasil?

O último levantamento do mercado que temos é da ESSEG (Estudo de Segurança Privada) , de 2013, que o segmento de segurança e de transporte de valores movimentaram cerca de R$ 43,5 bilhões, em 2012 o faturamento girou em torno de R$ 36 bilhões. A maior concentração das empresas do segmento é na região Sudeste, que conta com 43% do total de quase 2400 empresas formais. As regiões Norte e Nordeste apresentaram considerável aumento por a maior parte da demanda ser do setor público, onde praticamente 100% contratam segurança terceirizada. Para ter ideia, o Nordeste ocupa a 2ª posição em faturamento e em número de trabalhadores, e é a 3ª com maior número de empresas.

9-    Qual a previsão para o mercado nos próximos anos?

O mesmo estudo, da ESSEG, estima que de 2013 para 2015 o segmento tenha aumentado, alcançando cerca de R$ 50 bilhões. Um grande potencial do mercado é a segurança eletrônica, o Sindicato das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança do Estado de São Paulo levantou que o setor faturou R$ 3,4 bilhões em 2015 e prevê crescer 12% em 2016. Somente na cidade de São Paulo são mais de um milhão de câmeras de segurança em funcionamento. O número corresponde, aproximadamente, a um equipamento para cada grupo de sete pessoas e a expectativa é duplicar esse número nos próximos anos. A cidade possui aproximadamente 27 mil condomínios entre residenciais e comerciais, o SIESE-SP (Sindicato das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança de São Paulo) estima que mais de 70% possuem câmeras de segurança instaladas por empresas do segmento.

10- Com o crescimento constante da segurança eletrônica, quais são as novidades em produtos?

- Softwares de gerenciamento que fazem a integração dos sistemas de alarme, CFTV, incêndio etc, unindo todas as tecnologias.

- Aplicativos Mobile.

- Portaria Remota, biometria (impressão digital, leitura íris, escaneamento da palma da mão que mapeia os vasos sanguíneos).

- Câmeras em HD (high definition).

11- Quais são as maiores dificuldades para o setor ultimamente?

A maior dificuldade sempre foi, e continua sendo, a clandestinidade. Existem muitas empresas que não são legalizadas prestando serviço por todo o país. Estima-se que temos um vigilante legal para três ilegais. De acordo com o último levantamento da Polícia Federal, em setembro de 2015, o Brasil conta com 611.117 vigilantes legais, então pode-se estimar que temos mais de 1.2 milhão de vigilantes sem treinamento e estrutura suficientes para atuar na segurança de pessoas, patrimônios e empresas.

Como as empresas clandestinas não têm custos tributários, o preço que elas cobram estão muito abaixo do que as empresas idôneas propõem, obviamente porque os nossos custos são muito maiores.

12- Os empresários de segurança estão fazendo um movimento contra o aumento do PIS/Cofins, como o segmento será impactado?

A reforma prevê aumento de 3,65% para 9,25% do faturamento das empresas, isso gera aumento do valor também para a contratação dos serviços de segurança. Tornando o serviço mais caro e em época de recessão econômica, vai cair a contratação de empresas de segurança legais, o que gera diminuição do número de vigilantes formais e aumenta o de informais, piorando a segurança pública e privada. Assim, o governo arrecada menos (pelo aumento da clandestinidade) mas vai pagar mais para contratar segurança pública, porque o aumento do PIS/Cofins também será repassado pra ele pagar.

13- Quais riscos que uma empresa que contrata segurança clandestina corre?

Pode sofrer processo trabalhista, pois é corresponsável pelos funcionários que prestam serviço a ela.

14- Quais são os maiores erros cometidos por pessoas ou empresas que fazem um plano de segurança por conta própria?

Não desenvolver um Plano de Gestão de Risco Corporativo, que prevê inicialmente a identificação dos riscos, suas origens, probabilidades de ocorrência e os impactos que podem causar.

O plano deve ser constantemente revisado para não gerar acomodação nas pessoas envolvidas e principalmente porque novos riscos vão surgindo, assim como se altera a relevância de alguns riscos ao longo da vida da empresa. Cada caso é um caso, cada empresa precisa de uma solução específica.

Assim, uma empresa especializada pode contribuir nessa solução customizada, lembrando que segurança é composta pela integração entre os recursos humanos, pelos recursos tecnológicos e o fiel cumprimento das normas e procedimentos existentes.



Comments